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Era o que eles queriam. O processo que não víamos totalmente aqui no Brasil e que agora descobrimos é o mesmo que rola no mundo todo. Um projeto que começou no pós-guerra nos EUA e que interrompeu sua velocidade por conta da social democracia da Europa, agora parece que encontrou terreno fértil para se estabelecer. Testemunhamos aqui no Brasil, em particular, isso acontecer com o Bolsonaro. Seus herdeiros e comparsas tentam manter essa labareda acesa. Bolsonaro está enfraquecido e praticamente condenado. Mas sua família está ligada e seus seguidores em estado de prontidão. 


Não era só ele e agora constatamos isso com a teimosia de Trump em associar o tarifaço a uma soltura impossível do ex-presidente. O Brasil deu um freio nesta sanha assassina que visava a total destruição da cidadania por aqui. Ontem, entrevistando a socióloga Dulce Pandolfi vimos o quanto esse termo, cidadania, tinha sido desprezado aqui no Brasil e no mundo. Cidadania passou a ser uma ideia obsoleta como tudo que envolve a população. Não vemos mais isso nos governos neoliberais do mundo. É a meritocracia que importa e a meritocracia, como o próprio nome diz é uma atitude individual que desmonta qualquer ideia de coletivo, grupo social e luta de classes.


Nada mais conveniente para essa turma que quer destruir tudo que se fez de social aqui e no mundo. Na Europa muita coisa foi conquistada, mas assim mesmo muita coisa também foi destruída. Sobra um resto de democracia que mantém um nível civilizatório ainda viável. Aqui a ideia era acabar com tudo isso. Estado mínimo, neoliberais no poder, meritocracia como ideologia e EUA como exemplo a seguir.


De uma certa forma conseguiram. O Brasil virou o paraíso das bets ilegais, dos influenciadores milionários, das negociatas, das emendas secretas, do feminicídio, da pedofilia, dos tigrinhos, da evangelização descontrolada e de outros tantos negócios escusos.


Lula atrapalhou esse projeto e espero que a esquerda continue a trabalhar pela população porque uma coisa que ficou de tudo o que foi conquistado, mas que vem sendo ameaçado é a eleição, o voto como decisão soberana da população. Acabar com o voto, ou complicá-lo ainda mais como nos EUA é mole. Trump já começou a pensar nisso para se perpetuar, enquanto for vivo, no poder. Aqui no Brasil desconfiaram do sistema seguro e moderno do voto eletrônico que ainda bem continua. 


Precisamos mudar esse parlamento para que a Casa da Mãe Joana não se estabeleça de vez. Temos um país inteiro com uma população significativa para ser ouvida. Não podemos quebrar este ritual democrático que, apesar dos pesares, ainda é o melhor. A democracia tenta colocar uma certa ordem nesta casa. Este serviço nobre precisa ser preservado e elegendo a esquerda para presidência e congresso é o começo do caminho. O resto são desvios à direita.