
Quem vive nesses doces trópicos deveria estar habituado a bolsões, enchentes, deslizamentos, desabamentos e mortes.
Só que nunca nos habituamos, é claro.
Por falar nisso, uma fase de energia da minha casa acabou de cair. Televisão funciona, mas ar-condicionado, não. Internet não entra, nem geladeira. Me viro com o que resta no freezer e o celular como modem. Esta é a fase que estamos vivendo no verão brasileiro, calor e muita chuva e essa é a constante dos moradores do Rio de Janeiro. E olha que eu moro na Zona Sul num bairro de classe média alta, onde também moram classes mais baixas. Outra característica do Rio. Minha casa já encheu de água algumas vezes, inclusive agora, nessas chuvas recentes e acabei tendo um prejuízo enorme com um notebook que molhou.
A ocupação irregular das encostas, das margens dos rios fazem desta população, que ali constrói suas casas, um grupo de alto risco. Quem morre não vota e quem fica lamenta mais a perda do que transforma a raiva em atitude politica. As tragédias passam e as autoridades responsáveis por isso continuam nas suas posições. Verbas para obras de contenção, de transformação das áreas para evitar desastres são pulverizadas em outras finalidades.
Desde que me conheço por gente que o Rio de Janeiro alaga. Em 1966 uma famosa tempestade matou gente, provocou deslizamentos e virou um escândalo. Deste eu ainda me lembro. Dai pra frente foram vários aqui no Rio e arredores. Faltar luz é uma consequência quase que natural. Poderia até ser desde que conseguíssemos falar com a concessionária. A privatizada Light que revela não ter condições de cumprir o que prometeu confirma seu mau atendimento. Fica difícil ser contribuinte assim.
Os guardas de trânsito já tão difíceis de se achar numa situação legal, quando chove desaparecem de vez. O cidadão fica alagado e desorientado. Uma vez, trabalhando no antigo Teatro Fênix aqui entre a Lagoa e a rua Jardim Botânico, local de históricas enchentes, me vi na rua, com água pelas canelas orientando o trânsito para manter um mínimo de ordem e evitar o caos maior. Não sou nem nunca fui guarda de trânsito ou agente da defesa civil, mas como cidadão senti e continuo sentindo esse impulso. Já não tenho mais tanta energia e depois de tanto tempo achava que as autoridades podiam fazer esse serviço pra mim. Vou adorar e aplaudir.
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Fonte: Brasil 247 - https://www.brasil247.com/blog/que-fase-d2kcopfv
Data da Publicação: 16 de janeiro de 2023